Atmosferas explosivas não são óbvias e é exatamente por isso que a segurança precisa começar com conhecimento, não com suposição.

A gestão de segurança em atmosferas explosivas ainda é subestimada em grande parte da indústria brasileira. Embora o tema seja recorrente, sua compreensão técnica permanece limitada, o que resulta em interpretações equivocadas e, consequentemente, na adoção de soluções inadequadas para ambientes que exigem proteção Ex.

 

Conceito e fundamentos normativos

 

Atmosfera explosiva é qualquer ambiente onde uma mistura inflamável com o ar — em forma de gás, vapor, névoa ou poeira combustível — pode inflamar-se na presença de uma fonte de ignição. Essa fonte pode estar associada a elementos comuns de operação, como motores, sensores, chaves de comando ou conexões elétricas inadequadas.

 

O conjunto normativo que regula essas aplicações é robusto. As séries IEC 60079 e ABNT NBR IEC 60079 estabelecem critérios de projeto, avaliação, certificação e aplicação de equipamentos destinados a áreas classificadas, sendo a principal referência técnica para instalações seguras. No entanto, a prática de campo demonstra que apenas conhecer a norma não é suficiente. A segurança depende da correta interpretação dos requisitos, da análise do processo e da avaliação detalhada das condições operacionais.

 

 

O desafio da identificação de áreas classificadas

 

A identificação de uma zona Ex exige conhecimento multidisciplinar. Trata-se de correlacionar características do processo, propriedades das substâncias manipuladas, rotinas de limpeza, manutenção e ventilação, além de fatores operacionais que influenciam a formação de atmosferas explosivas. A dificuldade cresce quando a equipe não foi treinada para reconhecer esses cenários.

 

Em indústrias de alimentos, por exemplo, observa-se grande foco em requisitos mecânicos e de proteção previstos na NR 12, mas pouca atenção às condições que configuram atmosferas explosivas decorrentes de poeiras combustíveis. Isso não ocorre por negligência, mas por lacunas de formação técnica, já que muitos profissionais nunca tiveram contato aprofundado com o conceito de classificação de áreas.

 

A coexistência de ambientes com requisitos distintos dentro de uma mesma planta, como zonas que exigem proteção mecânica e outras que demandam proteção Ex, costuma passar despercebida, levando à adoção de equipamentos convencionais em locais que requerem dispositivos certificados.

 

Diferenças entre equipamentos convencionais e equipamentos Ex

 

Equipamentos Ex são projetados para evitar a ignição de atmosferas explosivas, por meio de técnicas como limitação de energia, controle de temperatura, pressurização, encapsulamento e segurança intrínseca. Esses princípios fazem parte de uma engenharia voltada especificamente para eliminar fontes potenciais de ignição

 

Equipamentos convencionais podem operar adequadamente em áreas comuns, porém representam risco significativo quando instalados em zonas classificadas. Frequentemente, o problema não está na escolha do equipamento, mas na não identificação da área como Zona 0, 1, 2, 20, 21 ou 22 conforme a IEC 60079-10.

 

A importância da análise técnica especializada

 

A avaliação in loco por profissionais qualificados em classificação de áreas é a abordagem mais segura quando há dúvida sobre a existência de atmosferas explosivas. A análise deve considerar o processo real, propriedades das substâncias, sistemas de ventilação, histórico operacional e condições de manutenção. Catálogos e suposições não substituem um estudo técnico completo.

 

Ainda existe uma lacuna significativa na formação acadêmica e técnica sobre atmosferas explosivas. A ausência desse conteúdo nos cursos de engenharia e tecnologia contribui para a baixa maturidade das indústrias no tema.

Inserir o assunto na formação profissional é fundamental para consolidar uma cultura preventiva.

 

Atmosferas explosivas em diferentes setores

 

Atmosferas explosivas estão presentes em segmentos como alimentos, bebidas, farmacêutico, cosméticos, papel e celulose, têxtil, plástico, logística, armazenagem de grãos, entre outros. Poeiras, solventes, álcoois, combustíveis e vapores inflamáveis são elementos comuns nesses ambientes. A invisibilidade do risco reforça a necessidade de rigor técnico e de aplicação sistemática das normas.

 


 

Ex: mais que certificação, uma mentalidade de engenharia

 

Proteção Ex não se resume à presença de um selo. Trata-se de um compromisso técnico que envolve identificação, análise, engenharia, operação e manutenção. Segurança não é improviso: é construção metodológica baseada em normas, evidências e prática.

 

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